Bahia
Terra da Felicidade
- Capital
- Salvador
- Estado desde
- 15 de novembro de 1889
- Bandeira atual
- 26 de maio de 1889
A bandeira da Bahia foi proposta por Diocleciano Ramos, médico e professor da Faculdade de Medicina da Bahia, durante o Congresso Republicano realizado em Salvador em maio de 1889. Aprovado, o desenho passou a representar o Partido Republicano da Bahia.
Em 17 de novembro de 1889, quando a Bahia reconheceu a Proclamação da República, a bandeira foi hasteada no Forte de São Marcelo (Forte do Mar) pelo coronel Durval Vieira de Aguiar, comandante da Polícia. A primeira Constituição baiana, de 1891, não mencionava bandeira. Durante o Estado Novo (1937–1945), o uso de bandeiras estaduais foi proibido em todo o país.
O Decreto estadual nº 17.628, de 11 de junho de 1960, assinado pelo governador Juracy Magalhães, tornou obrigatória a presença da bandeira estadual em desfiles e seu hasteamento nos prédios públicos, ao lado da bandeira nacional. A Constituição estadual de 1967 reconheceu como símbolos do estado a bandeira, as armas e o hino em vigor.
A Constituição do Estado da Bahia de 1989 determina no art. 6º, § 2º, que “são símbolos do Estado a bandeira, o hino e as armas”. Nenhuma lei descreve o desenho em detalhe. O Decreto nº 13.487, de 2 de dezembro de 2011, assinado pelo governador Jaques Wagner, regula o uso e o hasteamento da bandeira estadual.
Composição
A bandeira tem quatro faixas horizontais, alternadamente brancas e vermelhas. Na forma mais usada, segundo o Flags of the World, a primeira e a terceira faixas são brancas e a segunda e a quarta, vermelhas. No canto superior esquerdo fica um retângulo azul com um triângulo branco no centro. Como não há descrição legal, algumas publicações indicam a proporção de 7:10.
As cores azul, vermelho e branco já apareciam nos símbolos da Revolta dos Búzios (Conjuração Baiana), de 1798, e estão presentes também nas bandeiras dos Estados Unidos e da França. A disposição em faixas horizontais com um cantão foi inspirada na bandeira dos Estados Unidos.
O triângulo branco é associado ao símbolo maçônico usado pela Inconfidência Mineira, o mesmo da bandeira de Minas Gerais, e ao ideal de “liberdade, igualdade, fraternidade” da Revolução Francesa.
Cores
A bandeira da Bahia usa as cores vermelho, branco e azul.
- Vermelho: Uma das cores dos revolucionários baianos de 1798, ligadas aos ideais de liberdade e igualdade.
- Branco: Uma das cores dos revolucionários baianos de 1798, ligadas aos ideais de liberdade e igualdade.
- Azul: Uma das cores dos revolucionários baianos de 1798, ligadas aos ideais de liberdade e igualdade.
Na Bandeira Nacional
Cada estrela da Bandeira Nacional corresponde a uma unidade da federação. A estrela da Bahia é Gama do Cruzeiro do Sul, de 2ª grandeza, na constelação do Cruzeiro do Sul.
Fonte: Anexo da Lei nº 8.421/1992 (correspondência das estrelas) - Planalto
Bandeiras anteriores
Bandeiras usadas antes da atual da Bahia, em ordem cronológica: oficiais, de movimentos políticos ou de uso sem ato oficial, conforme cada fonte.
- 1798
Bandeira da Conjuração Baiana (Revolta dos Búzios)
Imagem: Wikimedia Commons, Domínio público Em 12 de agosto de 1798, os conjurados se manifestaram em Salvador proclamando uma república, o fim da escravidão e dos privilégios e a redução de impostos; o movimento foi logo reprimido. A bandeira tinha três faixas verticais, azul, branca e azul, com uma grande estrela vermelha de cinco pontas no centro cercada por cinco estrelas menores. As fontes divergem sobre a posição das pontas das estrelas, e suas cores são apontadas como origem das cores da bandeira atual.
Fontes: Bahian Revolution of 1798 (Brazil) - Flags of the World; Bandeira da Bahia - Wikipédia; Arquivo:Flag Revolt of the Tailors.svg - Wikimedia Commons
- 1832
Bandeira da Federação do Guanais
Imagem: Wikimedia Commons, Domínio público Na Revolução Federalista de agosto de 1832, liderada por Bernardo Miguel Guanais Mineiro, os revoltosos tomaram o Forte do Mar (Forte de São Marcelo), em Salvador, e no dia seguinte hastearam uma bandeira de três faixas verticais, branca, azul e branca; pouco depois se renderam. Em meados do século XX, Alberto Silva e Brás do Amaral defenderam que essa bandeira fosse adotada oficialmente pelo estado.
Fontes: Bahian Federalist Revolution of 1832 (Brazil) - Flags of the World; Bandeira da Bahia - Wikipédia; Arquivo:Flag Federation of the Guanais.svg - Wikimedia Commons
- 1837–1838
Bandeira da Sabinada (República Bahiense)
Imagem: Wikimedia Commons, Domínio público Os revoltosos da Sabinada, liderados por Francisco Sabino Álvares da Rocha Vieira, declararam a independência da Bahia em 7 de novembro de 1837 e foram derrotados em 15 de março de 1838. A bandeira tinha três faixas verticais, azul, branca e azul, na tradição das bandeiras de 1798 e 1832.
Fontes: Sabinada Revolt of 1837-38 (Brazil) - Flags of the World; Bandeira da Bahia - Wikipédia; Arquivo:Flag of Sabinada.svg - Wikimedia Commons
- Século XIX
Galhardete da Província da Bahia
Imagem: Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, Rafazmr No Império, os navios mercantes da Bahia indicavam a província de origem com um galhardete longo, de proporção aproximada 1:6, vermelho com três faixas diagonais brancas, segundo o álbum de pavilhões da Marinha francesa de 1858. Segundo a Wikipédia, a Coleção Carlos Piquet, do Museu Histórico Nacional, registra uma bandeira da província com o mesmo padrão.
Nenhum (não oficial)
Fontes: Brazilian Galhardetes - 19th Century Merchant Ship Pennants - Flags of the World; Bandeira da Bahia - Wikipédia; Arquivo:Galhardete Província da Bahia.svg - Wikimedia Commons
- 1937–1946
Proibição dos símbolos estaduais
A Constituição de 1937 (art. 2º) proibiu bandeiras, hinos, escudos e armas que não fossem os nacionais. A Constituição de 1946 voltou a permitir símbolos próprios aos estados, mas a Constituição baiana de 1947 restabeleceu apenas “as armas e o hino vigorantes até 1º de dezembro de 1937”, sem citar a bandeira. O uso da bandeira foi regulado pelo Decreto nº 17.628, de 11 de junho de 1960, e a Constituição estadual de 1967 a incluiu entre os símbolos do estado.
Constituição Federal de 1937, art. 2º
Leia sobre a queima das bandeiras estaduais em 1937
Fontes: Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937 (art. 2º) - Planalto; Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 18 de setembro de 1946 (art. 195) - Planalto; Constituição do Estado da Bahia, de 2 de agosto de 1947 (art. 2º, parágrafo único) - Legisla Bahia; Constituição do Estado da Bahia, de 14 de maio de 1967 (art. 3º) - Legisla Bahia; Bahia (Brazil) - Flags of the World; Bandeira da Bahia - Wikipédia
Brasão
Não se conhece ato que tenha criado o brasão da Bahia. Clóvis Ribeiro registrou em 1933 que ele já aparecia impresso no volume da coleção de leis do estado referente a 1891. O desenho mostrava as figuras do Trabalho e da República de mãos dadas sobre um escudo em que um marinheiro, na proa de uma embarcação, aponta para a terra próxima, em alusão ao descobrimento do Brasil. O timbre era uma estrela aureolada com a inscrição “Estado da Bahia”, e embaixo do escudo vinham o lema Per ardua surgo e a palavra “Brasil”.
Abolido em 1937 com os demais símbolos estaduais, o brasão foi restabelecido pela Constituição baiana de 1947, que retomou “as armas e o hino vigorantes até 1º de dezembro de 1937”. Segundo a Wikipédia, em algum momento depois de 1947 o desenho foi modificado: a bandeira nacional levada pela figura da República foi substituída pela bandeira da Bahia. As Constituições estaduais de 1967 (art. 3º) e de 1989 (art. 6º, § 2º) incluem as armas entre os símbolos do estado.
Na versão atual, segundo a Wikipédia, o escudo azul mostra um saveiro com a vela içada, em cuja proa um marujo acena com um lenço branco para a praia e o Monte Pascoal, primeira terra avistada pela esquadra de Pedro Álvares Cabral. À esquerda, um homem seminu com marreta, bigorna e roda representa o trabalho ou a indústria; à direita, uma mulher com barrete frígio, símbolo da liberdade, carrega a bandeira da Bahia e o triângulo maçônico, representando a República. O timbre é uma estrela aureolada que simboliza o estado, e o lema latino Per ardua surgo é traduzido como “pela dificuldade venço” ou “vencer apesar das dificuldades”.
Adoção: Em uso desde ao menos 1891 · Sem ato de criação conhecido; restabelecido pela Constituição estadual de 1947 (art. 2º, parágrafo único) e reconhecido pelas Constituições de 1967 (art. 3º) e 1989 (art. 6º, § 2º)
Fontes: Brazões e bandeiras do Brasil (Clóvis Ribeiro, 1933) - Internet Archive; Constituição do Estado da Bahia, de 2 de agosto de 1947 (art. 2º, parágrafo único) - Legisla Bahia; Constituição do Estado da Bahia, de 14 de maio de 1967 (art. 3º) - Legisla Bahia; Constituição do Estado da Bahia, de 5 de outubro de 1989 (art. 6º, § 2º) - Legisla Bahia; Brasão da Bahia - Wikipédia; Arquivo:Brasão do estado da Bahia.svg - Wikimedia Commons
O que as fontes discordam
Nem todas as fontes contam a mesma história. Estes são os pontos em que elas divergem ou deixam lacunas; os números remetem às referências no fim da página.
- Ordem das faixas. Segundo o Flags of the World, a forma mais usada tem a segunda e a quarta faixas vermelhas, como no desenho da Wikimedia Commons; a variante com a primeira e a terceira vermelhas, descrita pela Wikipédia em português, aparece em cartões dos anos 1930. Sem descrição legal do desenho, as fontes não fixam a ordem oficial. [8][4][7]
- Autoria. A Wikipédia grafa o nome do autor da bandeira como Diocleciano Ramos; o Jornal do Sudoeste escreve Deocleciano. [4][5]
- Data de criação. Segundo a Wikipédia, a bandeira foi proposta no Congresso Republicano em 25 de maio de 1889 e aprovada no dia seguinte. O Jornal do Sudoeste diz que ela foi apresentada em 26 de maio de 1889. [4][5]
- Oficialização. As fontes consultadas não apontam um ato único de adoção oficial: a bandeira é usada desde 1889 e, segundo a Wikipédia e o Jornal do Sudoeste, teve o uso regulado por decreto em 1960 e foi reconhecida pela Constituição estadual de 1967. A Constituição de 1989 apenas a lista entre os símbolos do estado, e nenhuma lei descreve seu desenho, suas cores ou sua proporção. [4][5][1]
- Proporção. A Wikipédia indica a proporção de 7:10, mas a classifica como “não necessariamente oficial”. O arquivo SVG da Wikimedia Commons usa a proporção 2:3. [4][7]
Referências
- Constituição do Estado da Bahia, de 5 de outubro de 1989 - Legisla Bahia (Casa Civil)
- Decreto nº 13.487, de 2 de dezembro de 2011 - Legisla Bahia (Casa Civil)
- Decreto nº 1, de 15 de novembro de 1889 - Planalto
- Bandeira da Bahia - Wikipédia
- Bandeira da Bahia (Antônio Novais Torres) - Jornal do Sudoeste
- “Bahia Terra da Felicidade”: o imaginário da Carta de Caminha nas propagandas turísticas - UESC
- Arquivo:Bandeira da Bahia.svg - Wikimedia Commons
- Bahia (Brazil) - Flags of the World