Minas Gerais
Caixa-d'água do Brasil
- Capital
- Belo Horizonte
- Estado desde
- 15 de novembro de 1889
- Bandeira atual
- 8 de janeiro de 1963 · Lei nº 2.793/1963
O desenho da bandeira de Minas Gerais vem da Inconfidência Mineira, de 1789, um movimento separatista que reunia a insatisfação da elite mineira com a cobrança de impostos pela Coroa Portuguesa. O projeto foi pensado pelos inconfidentes como bandeira nacional.
A ideia do triângulo é atribuída a Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier), e a do lema em latim, a Alvarenga Peixoto, que o tirou de um verso das Bucólicas do poeta romano Virgílio.
A bandeira foi oficializada pela Lei nº 2.793, de 8 de janeiro de 1963, sancionada pelo governador José de Magalhães Pinto com base no art. 154 da Constituição Estadual então em vigor. A lei também autorizou o Poder Executivo a regulamentar o uso e o cerimonial da bandeira.
Composição
Pela Lei nº 2.793/1963, a bandeira é um retângulo branco de 20 módulos de comprimento por 14 de largura, com um triângulo equilátero vermelho de 8 módulos de lado no centro.
Em volta do triângulo está a divisa da Inconfidência Mineira, em tipo romano: 'LIBERTAS' no lado superior esquerdo, 'QUAE SERA' no lado superior direito e 'TAMEN' na base. As letras têm 2/3 de módulo de altura e ficam a 1/3 de módulo do triângulo.
A frase 'Libertas quae sera tamen' costuma ser traduzida como 'Liberdade ainda que tardia'. O triângulo representa a Santíssima Trindade, e o vermelho simboliza as revoluções e a luta pela liberdade.
Cores
A bandeira de Minas Gerais usa as cores branco, vermelho e preto.
- Vermelho: As revoluções e a luta pela liberdade.
Na Bandeira Nacional
Cada estrela da Bandeira Nacional corresponde a uma unidade da federação. A estrela de Minas Gerais é Delta do Cruzeiro do Sul, de 3ª grandeza, na constelação do Cruzeiro do Sul.
Fonte: Anexo da Lei nº 8.421/1992 (correspondência das estrelas) - Planalto
Bandeiras anteriores
Bandeiras usadas antes da atual de Minas Gerais, em ordem cronológica: oficiais, de movimentos políticos ou de uso sem ato oficial, conforme cada fonte.
- 1789 (projeto)
Bandeira idealizada pelos inconfidentes
Imagem: Wikimedia Commons, CC BY 2.5, autor: Giro720 Os inconfidentes mineiros escolheram para a república que pretendiam criar uma bandeira branca com um triângulo equilátero no centro, cercado pela divisa 'Libertas quae sera tamen'. Segundo Clóvis Ribeiro (1933), o triângulo era verde, e a bandeira nem chegou a ser usada, porque a conspiração foi descoberta antes do levante. A ideia do triângulo, que lembra a Santíssima Trindade, é atribuída a Tiradentes, e a do lema, a Alvarenga Peixoto.
Fontes: Brazões e Bandeiras do Brasil (Clóvis Ribeiro, 1933), cap. VIII, 'Inconfidência Mineira' - Internet Archive; Nossos símbolos - Governo de Minas Gerais; Minas Gerais (Brazil) - Flags of the World; Bandeira de Minas Gerais - Wikipédia
- Anos 1930–1962 (uso não oficial)
Bandeira com triângulo vermelho, antes da lei
O desenho com triângulo vermelho já circulava antes de ser oficializado. Na Revolução de 1930, o destacamento mineiro 'Juvenal' usou uma bandeira igual à de Tiradentes, mas com o triângulo carmim e o dístico '5.º Batalhão'; nos anos 1930, cartões de bandeiras estaduais distribuídos com o sabonete Eucalol já mostravam Minas com a bandeira atual. Mesmo assim, em 1933, Clóvis Ribeiro registrava que Minas Gerais não havia adotado bandeira própria; a oficialização só veio com a Lei nº 2.793, de 8 de janeiro de 1963.
Fontes: Brazões e Bandeiras do Brasil (Clóvis Ribeiro, 1933), p. 148 e 160 - Internet Archive; Minas Gerais (Brazil) - Flags of the World; Lei estadual de Minas Gerais nº 2.793, de 8 de janeiro de 1963 - Wikisource
Brasão
Na legislação mineira, o emblema do estado é chamado de selo. A Lei nº 1, de 14 de setembro de 1891, adotou o grande e o pequeno selo do Estado para autenticar os atos legislativos, administrativos e judiciários, com as alegorias da agricultura e da mineração, a data da Constituição Estadual de 1891 e a legenda 'Libertas quae sera tamen'. O primeiro desenho, segundo Clóvis Ribeiro, mostrava duas figuras humanas dentro de um círculo. O desenho atual foi aprovado pelo Decreto nº 6.498, de 5 de fevereiro de 1924, para vigorar a partir de 1º de maio daquele ano.
Segundo o governo de Minas, o brasão reúne as maiores riquezas da época: a lamparina usada pelos mineiros, sobre duas picaretas, simboliza a mineração; dois ramos grandes de café e dois pequenos de fumo, verdes e com flores vermelhas e arroxeadas, representam a agricultura. Esses elementos ficam sobre uma estrela vermelha, cor também presente na bandeira, com o lema da Inconfidência Mineira acima. Embaixo, uma faixa traz 'Estado de Minas Gerais' e, num laço, a data da primeira Constituição do Estado, 15 de junho de 1891.
O decreto de 1924 não trouxe descrição heráldica nem definiu cores: apenas aprovou um desenho anexo. Por isso, as versões coloridas variam. A Wikipédia registra que Clóvis Ribeiro publicou em 1933 uma versão com a estrela dividida em vermelho e azul, faixa branca e laço azul e vermelho, e lembra que a estrela cercada de ramos de café e fumo remete às armas da República. O brasão aparece no alto dos prédios das repartições estaduais, nas escolas, nos quartéis e nas cerimônias oficiais do governo.
Adoção: 5 de fevereiro de 1924 · Decreto nº 6.498/1924 (desenho do selo previsto na Lei nº 1/1891)
Fontes: Nossos símbolos - Governo de Minas Gerais; Lei estadual de Minas Gerais nº 1, de 14 de setembro de 1891 - Wikisource; Decreto estadual de Minas Gerais nº 6.498, de 5 de fevereiro de 1924 - Wikisource; Brazões e Bandeiras do Brasil (Clóvis Ribeiro, 1933), p. 164–165 - Internet Archive; Brasão de Minas Gerais - Wikipédia

O que as fontes discordam
Nem todas as fontes contam a mesma história. Estes são os pontos em que elas divergem ou deixam lacunas; os números remetem às referências no fim da página.
- Cor do triângulo. Segundo a Wikipédia, alguns historiadores acreditam que o triângulo da bandeira idealizada pelos inconfidentes era verde, e não vermelho. [3]
- Autoria. A Wikipédia diz apenas que o desenho é “de autoria dos inconfidentes”, sem citar Tiradentes nem a Santíssima Trindade. A atribuição do triângulo a Tiradentes e sua leitura como símbolo da Santíssima Trindade vêm da ABrasOFFA e do jornal Estado de Minas. [3][4][5]
- Tradução do lema. “Liberdade ainda que tardia” é a tradução mais usada para “Libertas quae sera tamen”, mas a Wikipédia registra outras leituras do verso de Virgílio. [3]
Referências
- Lei nº 2.793/1963 - Institui a Bandeira do Estado de Minas Gerais - Assembleia Legislativa de MG
- Bandeira de Minas Gerais destaca marco da história do Brasil - TV Senado
- Bandeira de Minas Gerais - Wikipédia
- Minas Gerais - ABrasOFFA
- Entenda o significado da bandeira de Minas Gerais e a luta pela liberdade - Estado de Minas
- Minas Gerais - Wikipédia